Mãe da enfermagem: quem foi Florence Nightingale?

Florence Nightingale, nascida em 12 de maio de 1820, foi uma reformadora social inglesa, considerada por muitos como a fundadora da enfermagem moderna. Nightingale ganhou destaque ao servir como enfermeira durante a Guerra da Crimeia, na qual organizou o atendimento aos soldados feridos. Ela deu à enfermagem uma reputação favorável e se tornou um ícone da era vitoriana. À época, foi apelidada de “A Dama da Lamparina”, por realizar rondas utilizando-se deste instrumento para auxiliar soldados feridos à noite.
Comentaristas recentes afirmaram que as conquistas de Nightingale na Guerra da Crimeia foram exageradas pela mídia na época, mas os críticos concordam sobre a importância de seu trabalho posterior na profissionalização das funções de enfermagem para mulheres. 
Em 1860, ela lançou as bases da enfermagem profissional com o estabelecimento de uma escola de enfermagem no Hospital St. Thomas, em Londres. Foi a primeira escola secular de enfermagem do mundo, hoje parte do King’s College de Londres. 
Em reconhecimento ao seu trabalho pioneiro na enfermagem, o Juramento Nightingale, feito por novas enfermeiras, e a Medalha Florence Nightingale, a mais alta distinção internacional que uma enfermeira pode alcançar, foram nomeados em sua homenagem. Já o Dia Internacional da Enfermagem é comemorado anualmente na data de seu aniversário.

Igreja da Inglaterra

Florence esteve ligada à Igreja da Inglaterra durante toda a sua vida, embora com visões pouco ortodoxas. Influenciada desde cedo pela tradição wesleyana, Nightingale sentiu que a religião genuína deveria manifestar-se no cuidado ativo e amor pelos outros.
Apesar de sua devoção a Cristo, Nightingale acreditava que as outras religiões também continham uma revelação genuína. Ela era uma forte opositora da discriminação, tanto contra cristãos de diferentes denominações, quanto contra aqueles de religiões não-cristãs.

Reformas sociais

Suas reformas sociais incluíram a melhoria da assistência de saúde para todos os setores da sociedade britânica. Ela defendeu um maior esforço no combate à fome na Índia (então colônia britânica), ajudou a abolir leis de prostituição (que só puniam as mulheres), e influenciou a expansão da participação feminina na força de trabalho. 
Nightingale foi uma escritora prodigiosa e versátil. Em sua vida, muitos de seus trabalhos publicados se preocuparam em divulgar o conhecimento médico. Algumas de suas obras foram escritas em linguagem bem acessível, de modo que pudessem ser facilmente compreendidos por todos. Também foi pioneira na visualização de dados com o uso de infográficos, facilitando a compreensão dos leitores. Muitos de seus escritos, incluindo seu extenso trabalho sobre religião e misticismo, só foram publicados após a sua morte.

Guerra da Crimeia

Sua contribuição mais famosa foi durante a Guerra da Crimeia, que se tornou sua “missão de vida” a partir da chegada à Grã-Bretanha de relatos sobre as condições dos feridos. 
Sidney Herbert, chefe do Departamento de Guerra e ciente dos problemas de saúde do exército, possibilitou a ida de Nightingale e um grupo de enfermeiras para a zona de conflito. Em outubro de 1854, Florence e uma equipe de 38 enfermeiras voluntárias treinadas por ela, inclusive sua tia, Mai Smith, além de 15 freiras católicas, partiram.
Elas chegaram em novembro de 1854. Logo constataram que os soldados feridos estavam recebendo tratamento totalmente inadequado, enquanto os oficiais permaneciam indiferentes à situação. Os suprimentos médicos eram escassos, a higiene era terrível e as infecções comuns. Não havia equipamentos adequados nem para preparar alimentos.
Durante seu primeiro verão em missão, dez vezes mais soldados morriam de doenças como tifo, febre tifóide, cólera e disenteria do que feridos no campo de batalha. As condições nos hospitais de campanha eram muito prejudiciais para os pacientes.
Florence entendeu que a falta de higiene, somada à má nutrição, falta de suprimentos médicos e extremo cansaço dos homens levava o exército a altos índices de mortalidade. Por isso, passou a levantar a bandeira da importância da melhoria das condições humanas, sanitárias e hospitalares nesses locais. Consequentemente, ajudou a reduzir as mortes.

The Times

Durante o conflito, um artigo no The Times, publicado em fevereiro de 1855, dizia:
Ela é um “anjo ministrador” sem nenhum exagero nesses hospitais e, à medida que sua forma esguia desliza silenciosamente ao longo de cada corredor, o rosto de cada pobre sujeito suaviza-se de gratidão ao vê-la. Quando todos os oficiais médicos se retiraram para a noite e o silêncio e a escuridão se instalaram sobre aqueles quilômetros de prostrada enferma, ela pode ser observada sozinha, com uma pequena lamparina na mão, fazendo suas rondas solitárias.

Livro

Nightingale escreveu Notes on Nursing (1859). O livro serviu como a pedra angular do currículo da Nightingale School e de outras escolas de enfermagem, embora tenha sido escrito especificamente para a educação dos enfermeiros em casa. Aliás, escrever era um de seus trabalhos anos a fio: os conhecimentos que ela adquiria, logo colocava-os no papel.

Declínio e morte

A partir de 1857, ela começou a sofrer de depressão e outras doenças relacionadas. A produção de Nightingale, como era de se esperar, logo começou a diminuir consideravelmente, embora ainda mantivesse o interesse pelos assuntos atuais.
Em 1883, Nightingale se tornou a primeira a receber a Real Cruz Vermelha. Em 1904, recebeu a Ordem de São João (LGStJ) e, em 1907, ela se tornou a primeira mulher a receber a Ordem de Mérito.
Florence Nightingale morreu dormindo no quarto de sua casa, em Mayfair, Londres, em 13 de agosto de 1910, aos 90 anos de idade. É considerada testemunha profética pela Comunhão Anglicana, tendo sua memória celebrada no dia 13 de agosto.
Fontes: Eminent Victorians, Medical women and Victorian fiction e Wikipédia
Fotos: Wikipédia