Amy Carmichael, a missionária que lutou contra o abuso infantil

Amy Carmichael, nascida em 16 de dezembro de 1867, foi uma missionária que serviu na Índia por mais de 55 anos ininterruptamente. Seu trabalho era especialmente voltado às crianças e adolescentes. Venerada pela Comunhão Anglicana, fundou a Dohnavur Fellowship – organização que até hoje leva formação e empoderamento a jovens indianos.
Vamos conhecer um pouco mais desta cristã que levou a sério o Evangelho de Cristo.
Amy nasceu na pequena vila de Millisle, County Down, Ulster, Irlanda. Seus pais, David e Catherine Carmichael, eram presbiterianos devotos. Ela era a mais velha de sete irmãos. Estudou no Harrogate Girls College por quatro anos. E foi lá que, segundo a história, ela teve uma experiência pessoal de conversão à fé cristã.
A família de Amy se mudou para Belfast quando ela tinha 16 anos. Nesta nova etapa da vida, Amy recebeu um chamado para participar do trabalho evangelístico entre os trabalhadores de fábricas em Manchester, em 1889, que na verdade foi o primeiro passo para uma jornada de vida missionária. 
Em muitos aspectos, ela parecia uma candidata improvável para este trabalho missionário, pois sofria de neuralgia, uma enfermidade nos nervos que tornava seu corpo fraco, dolorido e, às vezes, exigia que ela ficasse na cama por semanas.

Convenção de Keswick

Já bastante interessada em missões – e tudo o que isso envolveria -, participou da Convenção de Keswick de 1887, onde ouviu Hudson Taylor, fundador da China Inland Mission, falar sobre a vida missionária; depois disso, ela se convenceu de sua vocação. 
A partir disso, Amy se apresentou para trabalhar como missionária na Ásia e passou a viver em Londres, em uma casa de formação para mulheres. Ali, conheceu a autora e missionária Marie Geraldine Guinness, que a encorajou ainda mais ao trabalho missionário.

Partida para a Índia

Antes de embarcar para a Índia, onde passou a maior parte de sua vida, Amy foi enviada ao Japão. Ali morou por apenas 15 meses, mas adoeceu e teve que voltar para a Inglaterra. 
Seu espírito inquieto e desbravador, no entanto, não a deixou ficar por muito tempo na “terra da rainha”. Logo embarcou para o Sri Lanka e, depois, partiu para Bangalore, Índia. 
Em 1895, ela recebeu, com muita alegria, um mandato da Missão Zenana da Igreja da Inglaterra (sociedade missionária voltada para a Índia) para trabalhar com os locais.

Mulheres e meninas

O trabalho mais notável de Amy na Índia foi o de acolher mulheres, meninas e crianças carentes ou abandonadas, algumas das quais foram resgatadas dos costumes religiosos que as levaram à prostituição forçada. Amy atuou fortemente para combater todo tipo de exploração às pessoas mais fragilizadas da sociedade indiana.
De acordo com o próprio relato de Amy, seu trabalho começou com uma jovem chamada Preena. Tendo se tornado uma empregada de um templo contra sua vontade, Preena conseguiu escapar. Amy cedeu-lhe alojamento e, acima de tudo, resistiu às ameaças daqueles que queriam que a jovem fosse reenviada para o templo ou para a sua família – o que equivaleria a regressar ao templo por via indireta. 
Casos semelhantes aos de Preena aumentaram consideravelmente, e isso acabou determinando, de uma vez por todas, o novo (e maior) ministério de Amy Carmichael.

Dohnavur Fellowship

Em 1901, vendo que esse trabalho deveria continuar mesmo após a sua partida, fundou a Dohnavur Fellowship, que atualmente trabalha pelo desenvolvimento holístico de todos os atendidos, executando projetos nas áreas de desenvolvimento infantil, educação, saúde, desenvolvimento comunitário e conservação da natureza.

Reconhecimento da rainha

Em 1912, a rainha Consorte do Reino Unido, Maria de Teck, reconheceu o trabalho da missionária e ajudou-a a fundar um hospital. Em 1913, a Dohnavur Fellowship já atendia 130 meninas. Em 1918, a associação estabeleceu um lar para meninos, muitos dos quais eram filhos de mulheres excluídas pela sociedade em função da prostituição. Em 1916, Carmichael formou uma ordem religiosa protestante chamada Irmãs da Vida Comum.

Falecimento

Amy Carmichael morreu na Índia em 1951 aos 83 anos. As crianças de quem ela cuidava colocaram, em cima de seu túmulo, um bebedouro (tigela para os pássaros tomarem banho ou beberem) com a inscrição “Amma”, que significa mãe em tâmil.
Fonte: Elisabeth Elliot, A Chance to Die: the Life and Legacy of Amy Carmichael; Iain H. Murray, Amy Carmichael; Beauty for Ashes, a Biography; Wikipédia.
Foto: Dohnavur Fellowship